JOGOS OLÍMPICOS DA ERA MODERNA

 

Há um nome ligado a um movimento, que sem, possivelmente, os Jogos Olímpicos não teriam sido restabelecidos. Apesar de não ter sido fruto do trabalho de uma pessoa só, pois houve outras tentativas antes, mas foi sem dúvida alguma CUBERTAIN, com o seu empenho, perseverância e paciência que constituiram os Jogos Olímpicos da era moderna.

Uma das influências foi naturalmente, os J.O. da Antiguidade. Foi também sob a influência  de Thomas Harnold que Cubertain se lançou nesta grande obra.

Na Inglaterra, Thomas Harnold introduziu o desporto no sistema educativo; tinha introduzido as práticas de rua e deu-lhes um carácter educativo pois antes eram práticas marginais. Foi através da educação que houve um restabelecimento e uma elevação  do estatuto do que era a prática desportiva, pois na altura não tinha qualquer reconhecimento especial.

Cubertain vai a Inglaterra estudar o que lá tinha acontecido e quando regressa a França tem como objectivo, provocar um rejuvenescimento quer fisico quer espiritual do homem. Como considerava que o desporto abrangia um valor educativo muito grande, este deveria servir para atingir os seus objectivos.

Hoje todo este movimento olímpico afastou-se da educação, mas é importante realçar que foi um ideal educativo que lançou os Jogos Olímpicos da era moderna. Foi sobre a pala da educação que todas as personagens se movimentam no sentido de lançar de novo, os Jogos Olímpicos.

Os Jogos Olímpicos reapareceram em 1896, mas antes houve o Congresso Olímpico Internacional em 1894 e aqui se declararam os objectivos dos jogos:

1 - Promover o desenvolvimento das qualidades físicas e morais ( que são a base do desporto )

2 - Educar a juventude através do desporto

3 - Dar a conhecer universalmente os princípios olímpicos suscitando com eles a boa vontade internacional

4 - Unir os atletas do mundo no grande festival quadrianal do desporto, que são os J.O.

Se fizermos uma comparação entre os J.O. e aqueles que eram praticados, há uma ideia basilar que devemos reter. Quando falamos dos J.O. da Grécia antiga, falamos da trégua olímpica. Dado que as diferentes cidades estado adoravam o mesmo Deus, que tinha uma importância tal que as cidades estado deveriam interromper a guerra para que os jogos se realizassem. Quer dizer que nesta altura os jogos  eram um elemento pacificador.

Nos J.O. da era moderna este propósito está subjacente mas isso nunca aconteceu. Poe exemplo: os jogos da 1ªGuerra Mundial, de 1916, não se realizaram. Quer isto dizer que os jogos não conseguiram interromper a guerra: mais, pela altura da 2ªGuerra Mundial os J.O. não se realizaram. Verficou-se que para além de não terem conseguido parar a guerra, pelo contrário, eles foram geradores de guerras; por exemplo, em 1972, uma equipa de comamdos palestinianos atacaram a equipa israelita, provocando uma série de mortos. A guerra fez-se nos próprios Jogos Olímpicos.

Em 1936, Hitler serviu-se dos Jogos para tentar mostrar a superioridade da raça ariana e recusou-se a entregar a medalha  de ouro ao atleta Jesse Owens.

A mensagem Humanista também não foi cumprida. Nos anos 80 houve um boicote da equipa Norte-Americana juntamente com a equipa da Alemanha Federal, da França e de outros países no sentido de bloquearem  os J.O. com o pretexto que as tropas soviéticas tinham invadido o Afganistão. Nos J.O. seguintes, foi a equipa soviética que boicotou os Jogos com pretexto que existia uma mensagem anti-soviética.

Foi também  afirmado pelo próprio Cubertain que o que era importante era participar, muito mais que ganhar.

A introdução do profissionalismo veio alterar estes ideais um pouco ingénuos. No princípio do séc. houve um combate contra o profissionalismo pois promovia-se o amadorismo. Era amador aquele que pratica desporto por prazer  e que não usufrui de qualquer proveito material da prática do desporto. Isso hoje não tem sentido nenhum. Toda esta retórica inicial tem-se vindo a afastar.

A introdução do espectáculo alterou por completo a ideia inicial. A ideia que nenhum outro espectáculo desportivo consiga ter tantos espectadores perverteu por completo aquilo que eram os J.O. Antigos.

A ideia mítica que o atleta era o indivíduo que conseguia congregar um conjunto de qualidades e virtudes e por isso admirado, hoje já não tem validade alguma, pois agora há uma pressão para que o atleta cada vez mais se especialize, há a tentação para que ele ultrapasse o que é inultrapassável e aí é que está o deslumbramento do espectáculo.

Hoje em dia o que interessa não é participar, o que interessa é ganhar, é dar espectáculo e porque isso move muito dinheiro, como diria um autor já no séc.17: "As pessoas podem ser induzidas a engolir qualquer coisa, desde que suficientemente temperada com elogios", ou seja a quetão do espectáculo perverteu o próprio atleta que se alienou  dele próprio e se transformou  em instrumento de alienação, a questão do doping  tem uma importância vital, pois há uma pressão tão grande  sobre os atletas, que estes põem em risco a própria vida. Outrora, no atletismo procurava-se a perfeição, agora procura-se a especialização  e para ultrapassar os recordes recorre-se a meios ilícitos.

Os Jogos Olímpicos da Antiguidade estavam muito ligados  à mitologia, os da era moderna são considerados por muitos,  jogos laicos.

Em relação aos J.O. da era moderna nasce uma nova mitologia, relacionada com o progresso linear, ou seja, têm a ver com a nova ordem, a Revolução Industrial, a ideia do progresso, a ideia  que a humanidade caminha para o melhoramento da espécie. E uma demonstração que as qualidades humanas podem ser saciadas, que o homem ultrapassa os seus limites biológicos e portanto há uma ideia  que o atleta  é um super herói.

Cubertain manifestou-se contra a participação da mulher nos jogos. Também aqui, e felizmente, a democratização da prática levou a que, jogos após jogos, esta participação se sentia com cada vez mais intensidade.