A MENSTRUAÇÃO E A CORRIDA
A existência de certos problemas durante o ciclo menstrual das atletas é um fenómeno de longa data. A esterilidade transitória foi durante muito tempo a única consequência nefasta devidamente investigada. No entanto, nos últimos anos, deu-se conta de que estas atletas podiam apresentar uma patologia óssea sob a forma de desmineralização muito acentuada. Por outras palavras, a atleta feminina que não regista regras, pode ficar confrontada perante uma fragilidade óssea importante, problema que se observa mais frequentemente nas atletas que se dedicam às corridas de meio fundo e fundo.
Os três principais protagonistas que influenciam a densidade óssea maximal são o exercício físico, a impregnação ostrogénica e o tipo habitual de alimentação.
Vejamos então a relação e a importância de cada um destes vectores:
O EXERCÌCIO FÌSICO
O exercício físico regular está devidamente referenciado como algo que pode aumentar a densidade óssea. O tipo de actividade, sua intensidade e regularidade, possibilitam melhores ou mais fracos valores. Uma pessoa que se dedica ao judo terá uma densidade óssea superior ao de um nadador.
A IMPREGNAÇÃO ÓSSEA
A frequência dos problemas menstruais é variável, de acordo com vários estudos já efectuados. No caso presente, trata-se mais de uma irregularidade nos ciclos, capaz de se cair mesmo num desaparecimento das menstruações. Por vezes, esta desregulação hormonal pode ser súbtil e passar totalmente despercebida à atleta, o que se traduz numa situação de hipoostrogenismo similar à que encontramos na fase da menopausa.
O aparecimento deste problema, está directamente ligado à proporção entre o número de quilómetros percorridos e inversamente relacionado com o peso corporal da atleta.
O tipo de actividade também entra em linha de conta, pois as mulheres que praticam corrida estarão mais frequentemente confrontadas a tal situação do que as nadadoras ou as ciclistas por exemplo. Numa adolescente, a intensa actividade física pode levar a um retardamento da densidade óssea maximal, o que é capaz de trazer consequências nefastas posteriores.
O TIPO DE ALIMENTAÇÃO
Um bom número de desportistas segue um regime alimentar hipocalórico e deficiente em produtos derivados do leite. Confrontados perante tais desarranjos hormonais, irão ser precisos produtos à base de cálcio, passando dos valores normais de 800 miligramas para as 1500 miligramas diárias.
Aconselho também a ingestão de produtos ricos em ferro e de três em três meses, um suplemento à base de sulfato ferroso, à venda nas farmácias.
CONCLUSÃO
A actividade desportiva nas senhoras é, no entanto, vivamente recomendada e tem um efeito muito favorável a nível ósseo, independentemente da idade em que seja praticada. Importa, porém, estar atento à própria situação particular inerente ao sexo feminino.