Todos
sabemos que os nossos melhores atletas estão a envelhecer…, os chamados
atletas de pelotão também e a renovação não é de maneira nenhuma
suficiente para nos deixar dormir descansados com o futuro muito próximo.
É verdade, que à boa
maneira portuguesa, estamos sempre á espera que após uma medalhita de
ouro, em algum campeonato (Rosa, Manuela, Fernanda, Lopes, Rui etc…),
surja o boom!!!, mas não, em vez disso, surgem sim, mais umas quantas
crianças a correr na estrada, a maior parte das vezes sem o aconselhamento
pedagógico necessário, este só ao alcance de dois ou três dos grandes
clubes em Portugal.
Se analisarmos as classificações
do último corta mato nacional disputado em Santarém e da recente Meia
maratona de Lisboa, depressa chegamos à conclusão que o problema começa
a ser grave e muito preocupante.
A renovação é urgente
e tem de começar desde já, mas isso implica um trabalho a médio e longo
prazo. Esse trabalho deve começar nas escolas, com a mentalização e a
preparação das crianças para a prática desportiva. Não podemos esquecer
a importância e o papel que o pequenos clubes de bairro desempenham e
o muito mais que poderiam fazer, se tivessem apoios suficientes. Muitos
desses clubes e as suas secções de atletismo, funcionam ainda, devido
à força, empenho e resistência de uma só pessoa ou pouco mais!!! E quando
essas pessoas desaparecem ? As coisas morrem!
O Papel da Escola
A escola deve assumir de uma vez
por todas, o objectivo de criar nos alunos competências de informação
desportiva, num mundo em que o conhecimento científico e tecnológico
se produz a um ritmo acelerado e em que se torna indispensável formar
cidadãos capazes de assumir a mudança, empenhados no desenvolvimento cultural,
desportivo, pessoal e da sociedade em geral.
Para promover o acesso
à informação desportiva na escola é preciso lidar com livros ( ler, consultar,
escrever ), vários materiais impressos, disquetes, informação na Internet,
registos áudio e vídeo, etc.
É necessário dispor
também de espaço adequado e ainda recursos humanos que permitam oferecer
condições propícias de acesso ao desporto a todos os alunos e que possam
ser utilizados em actividades lectivas e não lectivas, ocupação de tempos
livres e de lazer.
É, portanto, na escola
que devem estar centralizados os principais recursos e informação, estimulantes
do trabalho pedagógico na sala de aula, de investigação e particularmente
do desenvolvimento de hábitos desportivos e do prazer da corrida nos nossos
alunos.
O recreio escolar deve ser centro
de recursos de livre acesso, com espaços disponíveis.
A sua organização deverá estar a
cargo de um professor ou mais que coordenarão e dinamizarão as actividades.
É nas escolas,
é no recreio e nos ginásios que os jovens podem e devem ganhar o gosto
pelo atletismo e pela corrida, fazer parte do seu quotidiano, dos seus
tempos livres, do seu prazer (...)
A escola tem, pois,
um papel determinante, quando explorada em todas as suas potencialidades.
O professor tem um papel fundamental na dinamização dessas tarefas.
Aqui, é de lembrar
também o papel dos próprios pais, que por sua vez, deveriam ter tido a
sua educação desportiva, e dando o próprio exemplo, incentivar os filhos
para a prática de desporto, transmitir-lhes o prazer do exercício físico,
permitir-lhes conhecer diferentes modalidades, dar-lhes a possibilidade
da escolha, e não " obrigá-los " a fazer aquilo que os próprios pais gostam.
Infelizmente, tantas vezes se vê os pais a " picar " os filhos de 7 e
8 anos nas corridas, a zangarem-se, a discutirem, a darem tanta importância
às classificações!!!!!
A necessidade de correr
O atletismo
é uma actividade essencial no mundo de hoje. Não chega saber descodificar
um movimento em pequenos saltos e pulos.
Correr é acima
de tudo uma competência.
A sociedade actual
é cada vez mais exigente e as necessidades de formação e informação exigem
muito trabalho.
A corrida ajuda
a criança a construir a sua identidade, a sua relação com o mundo,
tornando-se um ser activo e tolerante.
Por isso é importante
dar a todas as crianças esse instrumento indispensável que é o ensino
das várias opções que o atletismo nos dá.
Correr traz consigo
prazer, descoberta, comunicação, interacção, enriquecimento cultural e
pessoal.
Correr é compreender
melhor o nosso mundo e o dos outros.
Correr implica técnica.
É uma aptidão e uma arte. A Corrida não é um produto acabado, mas parte
importante de todo um processo que está relacionado com o corpo e a mente.
A desmotivação ao atletismo,
por parte das crianças, é um sintoma que deriva do contexto social em
que está inserida.
Sabemos que no mundo
actual, as solicitações que rodeiam a criança são imensas.
E se não é a televisão
ou o consumismo universal, é a invasão electrónica; e se a culpa não é
dos joguinhos electrónicos, é da escola; a aprendizagem aberrante da ginástica
, o anacronismo dos programas, a incompetência do professor, a decrepitude
das instalações escolares, a falta de espaço e recreio...
O dever de educar consiste também
em ensinar o atletismo às crianças, iniciando-as na várias variantes que
o atletismo nos dá, em dar-lhes os meios de julgarem correctamente se
sentem ou não a necessidade de praticarem a modalidade"
