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envelhecimento do pelotão, a renovação e o papel da
escola
25/04/2003 - Eduardo Santos Todos sabemos que os nossos melhores atletas estão a envelhecer…, os chamados atletas de pelotão também e a renovação não é de maneira nenhuma suficiente para nos deixar dormir descansados com o futuro muito próximo. É verdade, que à boa maneira portuguesa, estamos sempre á espera que após uma medalhita de ouro, em algum campeonato (Rosa, Manuela, Fernanda, Lopes, Rui etc…), surja o boom!!!, mas não, em vez disso, surgem sim, mais umas quantas crianças a correr na estrada, a maior parte das vezes sem o aconselhamento pedagógico necessário, este só ao alcance de dois ou três dos grandes clubes em Portugal. Se analisarmos as classificações do último corta mato nacional disputado em Santarém e da recente Meia maratona de Lisboa, depressa chegamos à conclusão que o problema começa a ser grave e muito preocupante. A renovação é urgente e tem de começar desde já, mas isso implica um trabalho a médio e longo prazo.Esse trabalho deve começar nas escolas, com a mentalização e a preparação das crianças para a prática desportiva. Não podemos esquecer a importância e o papel que o pequenos clubes de bairro desempenham e o muito mais que poderiam fazer, se tivessem apoios suficientes. Muitos desses clubes e as suas secções de atletismo, funcionam ainda, devido à força, empenho e resistência de uma só pessoa ou pouco mais!!! E quando essas pessoas desaparecem ? As coisas morrem! O Papel da Escola
A escola deve asumir de uma vez por todas, o objectivo de criar nos alunos competências de informação desportiva, num mundo em que o conhecimento científico e tecnológico se produz a um ritmo acelerado e em que se torna indispensável formar cidadãos capazes de assumir a mudança, empenhados no desenvolvimento cultural, desportivo, pessoal e da sociedade em geral. Para promover o acesso à informação desportiva na escola é preciso lidar com livros ( ler, consultar, escrever ), vários materiais impressos, disquetes, informação na internet, registos audio e video, etc. É necessário dispor também de espaço adequado e ainda recursos humanos que permitam oferecer condições propícias de acesso ao desporto a todos os alunos e que possam ser utilizados em actividades lectivas e não lectivas, ocupação de tempos livres e de lazer. É, portanto, na escola que devem estar centralizados os principais recursos e informação, estimulantes do trabalho pedagógico na sala de aula, de investigação e particularmente do desenvolvimento de hábitos desportivos e do prazer da corrida nos nossos alunos. O recreio escolar deve ser centro de recursos de livre acesso, com espaços disponíveis. A sua organização deverá estar a cargo de um professor ou mais que coordenarão e dinamizarão as actividades. É nas escolas, é no recreio e nos ginásios que os jovens podem e devem ganhar o gosto pelo atletismo e pela corrida, fazer parte do seu quotidiano, dos seus tempos livres, do seu prazer (...) A escola tem, pois, um papel determinante, quando explorada em todas as suas potencialidades. O professor tem um papel fundamental na dinamização dessas tarefas. Aqui, é de lembrar também o papel dos próprios pais, que por sua vez, deveriam ter tido a sua educação desportiva, e dando o próprio exemplo, incentivar os filhos para a prática de desporto, transmitir-lhes o prazer do exercício físico, permitir-lhes conhecer diferentes modalidades, dar-lhes a possibilidade da escolha, e não " obrigá-los " a fazer aquilo que os próprios pais gostam. Infelizmente, tantas vezes se vê os pais a " picar " os filhos de 7 e 8 anos nas corridas, a zangarem-se, a discutirem, a darem tanta importância às classificações!!!!!
A
necessidade de correr Correr é acima de tudo uma competência. A sociedade actual é cada vez mais exigente e as necessidades de formação e informação exigem muito trabalho. A corrida ajuda a criança a construir a sua identidade, a sua relação com o mundo, tornando-se um ser activo e tolerante. Por isso é importante dar a todas as crianças esse instrumento indispensável que é o ensino das várias opções que o atletismo nos dá. Correr traz consigo prazer, descoberta, comunicação, interacção, enriquecimento cultural e pessoal. Correr é compreender melhor o nosso mundo e o dos outros. Correr implica técnica. É uma aptidão e uma arte. A Corrida não é um produto acabado, mas parte importante de todo um processo que está relacionado com o corpo e a mente. A desmotivação ao atletismo, por parte das crianças, é um sintoma que deriva do contexto social em que está inserida. Sabemos que no mundo actual, as solicitações que rodeiam a criança são imensas. E se não é a televisão ou o consumismo universal, é a invasão electrónica; e se a culpa não é dos joguinhos electrónicos, é da escola; a aprendizagem aberrante da ginástica , o anacronismo dos programas, a incompetência do professor, a decrepitude das instalações escolares, a falta de espaço e recreio... O dever de educar consiste também em ensinar o atletismo às crianças, iniciando-as na várias variantes que o atletismo nos dá, em dar-lhes os meios de julgarem correctamente se sentem ou não a necessidade de praticarem a modalidade"
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