Um "PATAQUA" a querer VOAR??? - Página 73
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Tópico: Um "PATAQUA" a querer VOAR???

  1. #721

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    Parabéns amigo Helder por teres com q tua força de vontade conseguido com sucesso o teu objectivo.
    Foi com muito gosto que tive a teu lado nas tuas últimas etapas,pois a "equipa" funcionou bem,conseguindo tu atingir o teu objectivo,e eu manter um ritmo que me permitiu continuar e com +- dificuldade, mas com muito empenho alcançar o final da prova com sucesso-
    Grande abraço
    Viva o Mundo da Corrida ! Viva o Atletismo com alegria ! viva a Amizade !!

  2. #722

    Talking Até o final do ano vais ficar por aqui?

    PARABÉNS HELDER!

    Fico contente pela tua façanha, de ires para lá dos 100kms,
    aposto que fui duro, mas estás muito satisfeito!
    Agora recupera rápido, há mais objectivos pra deitar abaixo!
    Até o final do ano vais ficar por aqui?

    Abraço da minha parte e Parabéns da parte da Susana
    Rui Lacerda

  3. #723

    Default

    Parabéns Hélder.

    É claro que ias conseguir. Com essa tua abnegação, raça, querer, tinhas mesmo de alcançar esse teu grande objectivo.
    Agora saboreia-o bem.

    1 abraço de amizade

  4. #724

    Wink Aprendam com este atleta

    Sublinho apenas o profissionalismo e a racionalidade com que o Hélder prepara os seus objectivos, a capacidade de realizar treinos regulares e à medida, na conta certa, sem ceder a impulsos.

    Depois é de uma forma natural que vai quebrando barreiras.

    Parabéns por teres superado mais um grande desafio!
    ∙ 0:39'45 ∙ 10km ∙ corrida do tejo 2009
    ∙ 1:28'45 ∙ 21km ∙ ponte vasco da gama 2009
    ∙ 3:15'17 ∙ 42km ∙ maratona de lisboa 2009
    ∙ 3:48'30 ∙ 43km ∙ ultramaratona atlântica melides-tróia 2009
    100 km: 12:30 mérida 2010, 23:05 transgrancanária 2012, 15:45 são mamede 2012 (com cão!), 20:30 madeira 2012.

  5. #725

    Thumbs up Agradecimentos

    Olá, pessoal!

    Zezinho és o maior! Naquela etapa para Santos eu só queria era sentar-me e ficar por ali... Parabéns Zé!

    Rui, eu agora já penso nas areias de Melides...e nas Fogueiras... e na Freita... ainda falta muito para o ano acabar.

    Fernando, sempre mais rápido e mais longe!

    Tiago és um tipo dotado. Resolve essas lesões e vais voar sobre os trilhos e areias que tanto adoras.

    Ao restante pessoal da Associação, graças a vocês os 100km pareceram um mero passeio no parque...

    Novos desafios estão a chegar!
    www.associacaomundodacorrida.com A Corrida para Todos!!!

  6. #726

    Thumbs up Mais forte!!!

    Preparei e completei uma ultramaratona de 100km!

    Penso que para chegar aos 140Km precisava de uma melhor gestão da alimentação e ter tido o sistema digestivo a 100%. Estou convencido que foram os problemas intestinais que me retiraram a possibilidade de recuperar da quebra na etapa para Santos.

    A minha grande vitória não foi completar estes 100km...

    A grande vitória foi descobrir forças para enfrentar novos desafios!!!

    2ªFeira - 5,5km em 30minutos. Fartlek com duas acelerações de 1000m: 4'57'' e 4'23''

    Vou às Fogueiras para tentar uma boa marca!
    www.associacaomundodacorrida.com A Corrida para Todos!!!

  7. #727

    Smile Súbida da "sopa"

    Hoje estive a descansar os "cavalos" na Súbida da Sopa!

    4ªFeira (M) - 6km em 42min.

    Este fim de semana vai ser preenchido: caminhada, marginal pirata e prova da sopa.

    Vai dar passo de caracol? Ou será sprint de chita?
    www.associacaomundodacorrida.com A Corrida para Todos!!!

  8. #728

    Smile Semana transitória e novos objectivos!

    Registos desta semana de transição.

    2ªFeira - 5,5km em 30minutos. Fartlek com duas acelerações de 1000m: 4'57'' e 4'23''.

    4ªFeira (M) - 6km em 42min.

    5ªFeira (T) - 5,5km em 30minutos. Fartlek com duas acelerações de 4'47'' e de 4'34''.

    Sábado (M) - 17km de Caminhada. Muito trabalho de pés.

    Sábado(N) - 9km na Marginal à Noite. 1km foi para aquecer no meio da confusão. 5km's rápidos em 22'42'' (~4'32''/Km). 3km's de descontracção.

    Durante a aceleração de 5km voltei a sentir uma dor no pé esquerdo. Dor que tinha sentido durante o Caminho do Tejo. Como habitual, escutei o corpo e dei-lhe descanso no Domingo.

    O reforço dos pés para o Melides-Tróia terá que ser feito com muito cuidado...

    Para os primeiros dias desta semana espero meter umas rampas, escadas e alguma areia, sempre em regime de fartlek e com pouco volume de treino. No final da semana entro em estágio para Peniche.

    Objectivo - 1h10min
    www.associacaomundodacorrida.com A Corrida para Todos!!!

  9. #729

    Default olá helder!!

    O Helder vai á freita???
    Não sei se já fez mas como um ultra experiente gostaria de me desse alguns concelhos a ter em conta inclusive pormenores de preparação e enquadramento da prova, bem sei que não é em duas semanas para o inicio q vou preparar, mas faço um comparação, tenho pedido outros concelhos a outros atletas e nunca é demais a partilha de ideias!!!
    um abraço!!
    " o suor poupa o sangue"
    Última edição de jorge a matos : 22-06-2009 às 19:58

  10. #730

    Smile Freita

    Olá, Jorge.

    Curiosamente a minha curtissima experiência em ultramaratonas já passou duas vezes pelo Ultra-Trail da Freita. Esta prova é mesmo um grande desafio! E este ano ainda vai ser maior!

    Para começar fica aqui o relato da minha primeira ultra (é longo!).

    1ºUltra-Trail – Partida
    - As previsões estavam certas, já está a chover!
    O relogio marcava duas horas e eu tinha acabado de acordar com o barulho dos pingos de água a bater no tecido do iglo. Imediatamente, voltei a antecipar o percurso da Freita e fixei a minha atenção nas pedras molhadas por esta chuva nocturna. Nas infindáveis pedras molhadas por onde iriamos passar. As pedras anguladas dos grosseiros trilhos do Carteiro e dos Incas; e as pedras nas margens rio Paivo, polidas pela eterna erosão do tempo. Todas elas estavam humidamente a nossa espera, para nos dar a conhecer o que significam as palavras, aferidas internacionalmente, e repetidas pelo José Moutinho.
    - Esta é uma prova de dificuldade extrema!
    - Agora já não vou dormir mais!
    Este facto não me preocupou, aliás, fiquei feliz por ter dormido umas três horinhas. Tendo em conta que estavamos todos em alerta extrema, foi bom ter dormido alguma coisa. Voltei a concentrar-me em pensamentos optimistas. O trabalho de casa estava feito: o treino estava assimilado, o equipamento estava optimizado e as caracteristicas do prova estavam estudadas. Eis um triunvirato importante: potencial físiológico e psicológico, logística e informação. Todos juntos apontavam para a seguinte estratégia. Jogar à defesa até aos 32km’s. No final, se sobrar energia e força, ir atrás do tempo ou de posições. Caso contrário, continuar a lutar para chegar à meta.
    - Quatro da manhã, está na hora de comer!
    Optei por fazer uma pequena refeição, para tentar prolongar ao máximo a entrada de nutrientes na corrente sanguinea. Esta acção teve aspectos negativos, mas a longo prazo penso que foi útil.
    - Cinco da manhã, hora de levantar!
    Até às seis horas o tempo correu como um demónio. Estava tudo a correr bem, até que, quando virei o “camelbag” ao contrário para tirar o ar do saco, saiu uma parte do isotónico pela zona da rosca. Devido ao escuro tinha apertado mal a rosca! A mochila ficou toda molhada!
    - Merda!!! (isto para não colocar aqui outros vocábulos mais expressivos)
    Entrei num stress idiota e fiquei pior que uma barata tonta:
    - Levo “camelbag”! Não levo “camelbag”!
    - Levo casaco! Não levo casaco!
    - Levo chapeu! Não levo chapeu!
    - Os alfinetes!!! Outra vez sem alfinetes!!!Que estúpido!!!
    - Já são 5h45m!
    Optei por manter o “camelbag” e vesti o casaco para me proteger do frio da madrugada, levei o chapeu para prevenir, desprezei os alfinetes e o dorsal!
    - Faltam 3 minutos!
    - Estava à beira de um ataque de ansiedade e não tinha ido à casa de banho!!
    -Que bela maneira de começar o meu primeiro Ultra-Trail!!!
    PARTIDA!!!

    1ºUltra-Trail – Descer até ao RIO!
    - Estou lixado!
    Foi num estado de intensa agitação que começei a correr. Estava completamente desregulado e ainda sentia o estomago com volume a mais.
    - Vamos lá a ter calma!
    - Manter um ritmo lento, que o importante é chegar ao fim!
    A medida que os minutos de corrida iam passando fui ficando cada vez mais calmo, até entrar num estado de tranquilidade e novamente optimista.
    - Estou aqui com uns problemas, mas isto ainda vai ao lugar.
    Já estava habituado a correr com comida no estomago, porque treinei algumas vezes depois do jantar. Esse problema iria desaparecer com o tempo e sabia que essa energia extra seria útil para o final. Quanto ao excesso de peso que trazia na barriga, esse era um problema que mais cedo ou mais tarde teria de resolver. Preferi deixar a coisa para mais tarde. Para quando o pelotão estivesse mais disperso.
    Entretanto já tinha amanhecido e a luz que atravessava o céu nebulado já iluminava o nosso percurso. O Victor Silva, o António Ribeiro e o Zé Neves tinham partido mais rápido e seguiam lá mais à frente. Eu mantive a calma e continuei a controlar-me para não acelerar. O estar mais pesado até ajudou.
    - Olha, são calhaus!
    - Eu adoro calhaus!
    Ou melhor dizendo, eu adoro progredir sobre pedras. Seja em montanhas ou em leitos de rio. Seja a subir ou a descer. Eu fico sempre cheio de vontade de saltitar de pedra em pedra. O problema é que nesta fase tinha gente à minha frente e o caminho era estreito. Afinal ainda não podia saltar livremente de pedra em pedra.
    - Estou aqui preso!
    Quase como uma criança com um monte de brinquedos à volta e sem puder mexer em nenhum.
    A centopeia de corredores ia atravessando o planalto e eu cruzo-me com o António Ribeiro pela primeira vez. Trocamos alguns comentários sobre a beleza da paisagem e seguimos. O meu ritmo estava controlado e fui sendo ultrapassado por vários atletas. Passámos pelo Vidoeiro e como eu levava abastecimento no “camelbag” não precisei de beber nada. A minha ideia de ir bebendo isotónico com alguma regularidade estava a correr bem, aliás já tinha sido testada em treino.
    -Olha a descida! Agora vou começar a recuperar lugares!
    Após algum tempo encontrei o Zé Neves e mais uma vez trocámos umas ideias, desta vez sobre alimentação indegesta. Fiquei a saber que o milho talvez não tenha sido a melhor opção.
    -Nunca experimentar coisas à pressão!
    O terreno voltou a ter inclinação negativa e eu afastei-me do Zen para voltar a ganhar mais alguns lugares. Sinto que em montanha consigo descer relativamente rápido, mantendo o ritmo cardiaco dentro dos limites e sem forçar excessivamente os músculos. Atravessámos um trilho cheio de lenha e à medida que ganhava terreno, começava a pensar:
    - Em trilhos dificeis é que eu estou à vontade!
    Aproximo-me do Victor, mas o terreno volta à estrada e ele volta a “fugir”. Após uns instantes de conversa com uns companheiros que tinha apanhado na descida da lenha - um deles já tinha dado um tombo – chegámos ao controlo de Tebilhão. Mais uma vez não parei, porque estava ainda em auto-abastecimento. Agora com outro companheiro, atravessámos Tebilhão a descer e depois entrámos numa subida mais inclinada para Cabreiros. Tinha passado um pouco mais de uma hora e decidi andar enquanto comia uma barrita de ceriais.
    Á saida de Cabreiros atravessámos as Portas do Inferno e entrámos numa descida realmente dantesca. Num trilho de elevada inclinação, cheio de pedras afiadas, que ainda estavam um pouco humidas, a concentração tinha de ser total! Ainda bem que a chuva já tinha parado há algum tempo. Mesmo assim, ao menor erro grosseiro haveria desastre na certa. Felizmente estou habituado a manter a calma e o equilibrio, mesmo em situações de escorregamento. Por várias vezes fugia-me um pé mas eu mantinha o equilibrio e continuava de pedra em pedra a massacrar os joelhos!
    - Que dor nos joelhos! Como é que eu vou chegar ao fim!
    A descida para Rio de Frades tinha sido um teste dificil. O lado positivo é que na chegada ao posto de controlo eu tinha apanhado o Victor. Como ainda tinha abastecimento e tinha visto que vinha bastante gente atrás, não quis ficar lá muito tempo. Seguimos pela estrada na descida para o rio Paivô. Ao chegarmos ao cemitério, encontramos um cruzamento! Não viamos fitas e entretanto aparece um tipo numa Famel! Eu pergunto-lhe se ele tinha visto corredores para o lado direito. Ao que o tipo responde que sim. Lá fomos enganados pelo “motinhas”! Detectamos rapidamente o engano e voltámos para trás. Já na estrada certa, descemos para a ponte e depois de uma breve súbida, entramos na rampa pedregosa para o rio.
    - Cá está o RIO!!!

    1ºUltra-Trail – O Pior e o Melhor
    - Xiiii, que confusão!
    Nos primeiros 100m da progressão intra-fluvial estavam acumulados mais de uma dezena de atletas. O pessoal não se queria molhar e o percurso pelas rochas era realmente exigente. A maior parte deles tinham-nos ultrapassado devido ao engano no cemitério. Este facto deixo-me a pensar que não valia a pena estar com grande pressas e mais valia fazer a incursão na linha de água de forma tranquila e cuidadosa. A realidade foi bem diferente!!!
    - Lá está o Victor a querer fugir!
    É mesmo verdade. O Victor voltou a puxar-me, e eu começo a dar uns saltinhos e a pôr os pés dentro de água. Nessa fase volto a passar pelo AAR que regista a minha progressão e a minha cara de tresloucado! Em pouco tempo voltei a colar ao Victor.
    - Victor, para que essa pressa?
    - Temos de nos manter com este grupo.
    Era um grupo onde estavam duas raparigas e dois rapazes, e que além de seguir bastante coeso, estava a ultrapassar outros atletas. Também nos tinham ultrapassado devido ao engano. Antes tinham-me ultrapassado a subir e eu tinha voltado a passar para a frente a descer. Estava a ser uma disputa motivadora.
    - Ok, então lá vou eu!
    Eu adoro calhaus! E se for a subir montanhas ou rios, entro em delirio! Fui buscar a experiência que ganhei a subir o Ceira em Góis, ou o Homem no Gerês e ainda o Cabrum em Resende. Para não falar das vezes que subi ao Castelo dos Mouros pela encosta rochosa e outras aventuras pedregosas que agora não me lembro... Comecei a ganhar balanço e lá fui a saltar de pedra em pedra, entrando no rio sempre que não via um caminho mais rápido. Fiz 3 travessias! Foi uma loucura completa a puxar pela adrenalina ao máximo!!! Eu só sei que estava sempre a apanhar outras pessoas, gostava de ver quantos lugares subi. Passei à frente de atletas muito mais fortes do que eu. Cheguei a colar a um dos heróis do Monte Branco! O mais importante é que foi uma aventura espectacular! Adorei!!!
    - Adorei!!!
    Saimos do rio e dai a pouco tempo, estávamos em Covelo de Paivô. Neste controlo parei para descansar um pouco e beber bastante água, comi a terceira barra de ceriais. Foi uma antes e uma depois do rio. Abasteci o “camel” e para terminar troquei de meias. Foi nesta fase que fiquei a saber que o atleta luxemborguês devido a uma queda no rio tinha perdido o SI.
    Partimos juntos e entramos na súbida. Logo atrás vinha o Victor com o tal grupo das raparigas. Esse grupo vinha com força e passaram por mim como relâmpagos. Eu continuei a caminhar de forma controlada e a verdade é que estava cada vez mais pesado. Quando a subida perdia inclinação eu tentava correr, mas já estava mesmo à rasquinha. Estava por ali o Calvin, mas depois foi-se embora. Não, não estava a delirar era mesmo o Calvin! Eu comecei a fazer paragens e a ver a vida a andar para trás.
    - Com a parte do rio já não consigo fazer 8h!
    Comecei a ter pensamentos negativos! Foi a pior fase, estava mesmo a esmorecer! O Victor apanhou-me e depois de falar um pouco com ele, decidi resolver imediatamente o problema do excesso de peso abdominal! Subi a um cabeço e quando sai de trás da pedras estava realmente mais leve!
    - Que diferença!
    Tinham passado +/- 4 horas de prova e meti um gel pela goela abaixo! Assim que a energia concentrada começou a carburar estava a chegar ao Trilho dos Incas. No inicio ainda fui com as mãos ao chão umas duas vezes, mas depois voltei a atinar e a ganhar terreno. Ao chegar a metade da prova (Póvoa de Leiras), estava de novo com o Victor e com o amigo Calvin. Estava muita gente amiga neste posto e foi bom ouvir os seus conselhos e os seus incentivos! Pensei para mim:
    - O pior já passou!
    Comi várias laranjas e bananas para tentar acumular combustível e assinei o livro de controlo, verifiquei que estava na posição sessenta. Para criar uma fonte de motivação fixei o objectivo de tentar recuperar lugares. Tentar ficar mais para o meio da tabela. Foi então que disse, qualquer coisa como:
    - Agora é que começa a prova!
    - Agora é que vamos ver quem tem pernas!
    - Vamos lá Victor!
    - Vamos apanhar esse pessoal que está ai para a frente!

    1ºUltra-Trail – Acredito em ser um Ultra-Maratonista!
    Agora que já não estava com alucinações, voltei ao percurso. No entanto, garanto que não alucinei quando vi malta a seguir pela estrada. O Rui levou-nos para o caminho certo, e depois começou a atacar. Passado algum tempo tinha conseguido desaparecer. Ele mostrou logo quem é que ainda tinha pernas. Grande Rui!
    Eu, o Victor e outro companheiro seguimos a leva de água até à barragem e depois subimos para o ponto de controlo da Fraguinha. Comi a última barra de ceriais e tomei a decisão de começar a beber cola. Ainda estava com pouca energia e os pedaços de laranja não estavam a dar para o gasto. Tirei o gás todo e segui com a garrafa na mão. Continuámos a caminhar e a subir até que finalmente o terreno nivelou e, eis que surge um atleta à nossa frente. Este novo companheiro deu-nos motivação para voltar a correr e já em descida eu e o Victor deixámos os outros dois para trás. Na minha mente estava gravada a ferro e fogo a mensagem:
    - Um pouco mais à frente estão mais companheiros!
    Com o estimulo da cafeina, eu estava verdadeiramente electrico. Passámos Salgueiro e antes de chegar a Bondança, nova linha de água! Pois é, um caminho completamente alagado! Nada como meter de novo os pés de molho!
    Em Bondança troquei de garrafa de cola e voltei a puxar pelo Victor.
    - Anda Victor, que aqui já não estamos a fazer nada!
    Á saida da vila apanhámos mais um silencioso. Nesta fase eu já estava a caminhar bem mais rápido, mas geri a coisa e “seguimos os três” até Gestosinho. Á saida de Gestosinho, o amigo S.Pedro para que os pés não se ficassem a rir, enviou uma carga de água para molhar o resto do corpo. Estava a ficar um friozinho lixado. Avistei mais 2 pessoas, mas parei para vestir o blusão e tomar o último gel energético. No trajecto para Gestoso deixámos o “silencioso” para trás e à saida desta aldeia o Victor começou a meter “travões”. Estava cheio de fome! Eu puxei por ele e disse-lhe para ele comer o gel que ainda tinha guardado. Ele não quis, mas mesmo cheio de fome mostrou garra para continuar comigo!
    Aos poucos fui ganhando terreno, e de tempos a tempos ia olhando para trás para ver onde vinha o meu “irmão” da corrida. Ele lá vinha! Quando terminei a súbida no PR15, voltei a correr nas zonas planas e a andar forte nas curtas súbidas que se repetiam com regularidade. Olhei mais uma vez para trás e vi um grupo de atletas a apanhar o Victor.
    - Ser apanhado agora, é que não!!!
    Decidi partir a corda e definitivamente atacar a corrida!!!
    - Um pouco mais à frente estão mais companheiros!!!
    Rapidamente ganhei terreno e ao chegar ao cruzamento já não via ninguém atrás de mim. Ora a seguir ao cruzamento, entrámos na luxuriosa descida para Castanheira. Ainda por cima uma descida cheia de calhaus!!! Já vos disse que adoro calhaus! Pois bem agora ainda gosto mais deles! Subitamente surgem no meu campo de visão vários atletas. Foi como uma profecia auto-realizada. Começa no acreditar! Acreditei sempre que iria apanhar mais gente, trabalhei no duro e devido a isso a crença tornou-se realidade!!! Se não tivesse acreditado nunca seria capaz!!!
    Escusado será dizer que passei por eles como uma flecha. A pedir licença e a dizer para eles puxarem pelas forças que estávamos na recta final. Pedi licença porque estava a ir realmente depressa num trilho relativamente tecnico. Disse para eles puxarem nesta recta final porque estava a gostar de ter forças no final de uma prova de 8 horas e decidi estimular um pouco a coisa. Neste grupo seguiam a Carmen Pires e a Mónica de Sousa. Fizeram a prova sempre juntas e terminaram em 3º e 4º lugar da geral feminina. Foi brilhante! Deviam ter ficado as duas com o terceiro lugar! Os meus parabéns para elas!
    Em Castanheira colei de novo ao Luxemburguês, Henri Nilles. Como é obvio, não fiquei lá à espera dos que vinham atrás. Após beber um pouco do resto de ice tea que ainda havia, sai de novo a correr até apanhar o “exame” final. Uma subida bem lixada logo à saida de Castanheira! Começei a ficar com umas caimbrãs nos gémeos e por isso dei passagem ao Henri. Ainda assim ultrapassei mais um atleta e depois desta súbida continuei a lutar em perseguição do ultra companheiro europeu. Graças a ele fui quase sempre a correr até à meta. Não o consegui apanhar! O Henri Nilles, apesar de estar com dificuldades nos pés, fez também uma grande prova! Os meus parabéns para ele! Já nos últimos quilómetros enquanto corria ao lado dos caminheiros, o seu reconhecimento e incentivo encheu o meu coração de alegria pura!!! Estava a fervilhar de energia ao fim de mais de 8 horas de esforço continuado!
    - Acredito em ser um Ultra-Maratonista!

    Esta é que foi uma ultra leitura. Desculpem esta longa recordação...
    www.associacaomundodacorrida.com A Corrida para Todos!!!

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