Esta semana deveria ser uma semana de descanso, de calma, e de tentar não estar muito tempo de pé, deitar cedo, enfim...Descanso
Mas não está a ser possivel, e ainda bem, porque como infelizmente as corridas não pagam a renda da casa, portanto ter muito trabalho é uma optima noticia...
O problema é que durante esta semana vou dar mais de 8h de formação por dia, e eu tenho o vicio de dar formação em pé...sentado não consigo pensar .......
Ontem foram 30' de corrida continua e ainda 10* 200mts de acelerações, para que as pernas não se esqueçam do que as espera... e mais 15' de "arrefecimento"
Hoje, não sei quando, irão ser 40' só para descomprimir....
Força, Victor. Agora é concentração absoluta e focalização completa neste objectivo. A prova acaba no fim dos 50 Km e falta corrê-los.
Os próximos desafios aparecerão naturalmente e serão vencidos da mesma forma. A motivação destas vitórias é mais que suficiente para nos alimentar enquanto não surge outro objectivo.
E mais de uma semana depois voltei ao convivio escrito deste meu/nosso forum.
A razão desta demora em cá vir relatar a minha experiencia da Freita tem muito a ver com os sentimentos cruzados e a emoção que esta prova me causou.
Efectivamente, fui afectado por esta excelente prova, e não estou a falar das dores musculares que demoraram a passar mas estou a falar da minha cabeça, dos meus sonhos, e sobretudo das forças que tive de encontrar dentro de mim vivendo com uma vitória que foi terminar a prova, terminá-la com força, mas tambem terminá-la com o sabor amargo da derrota na boca.
Não interpretem mal, fiquei nos 30 primeiros, e para muitos de nós, eu incluido, se soubesse isso à partida, não iria acreditar por que é mesmo bom, e mesmo assim iria saber e sei, que a classificação não é o mais importante, o que realmente importa é vencermos os nossos limites e os nossos medos!
Mas, saber como eu sei e senti no corpo que no ultimo controlo estaria nos 17 primeiros, estava cheio de força e a ganhar lugares, e virar na curva errada........meus amigos...doi muito....
E nem sequer posso deitar culpas á Excelente organização da Trotamontes, ou à Cremilde, ou a quem quer que seja, simplesmente segui as marcações da manhã que naquele sentido estavam ao contrario, e aqui a minha inteligencia pensou "E pá, não me posso enganar..."
Virei no local errado, não sei nomear o local, mas para quem conhece, antes de terminarmos entramos naquela estrada em alcatrão sempre a subir, e chegamos a umas casas, ate tem um cafezito, e nesse cafezito, continuamos pela estrada ate virarmos à direita para a ultima subida...pois foi apos esse cafezito que olhei para tras e vi fitas plasticas (eram da manhã) e setas no chão (que estavam em sentido contrario ao meu), mas mesmo assim achei que era por ali....
E fui, pelo mesmo caminho da manhã...saltei aquele portãozito velho de madeira, cheguei ao coreto (acho que de Albergaria) e fui sempre a alto ritmo, a mim não me apanham...mas tambem não estou a apanhar ninguem...??????!!!!!! Ate que chequei a um muro com marcação e...não pode...estou enganado.......CHOREI e DESISTI.....
Não acreditava, e lentamente recomecei a correr, sabia exactamente onde me tinha perdido, e descobri que o ULTRATRAIL não é uma corrida é o testar dos limites, e como um vencedor é aquele que se levanta novamente, voltei a correr, tinha que terminar para ficar em paz comigo e com a FREITA, pois ela não merecia esta "Traição"...
Excerto da minha mensagem de 2/7/07 no tópico da prova.
“Quero salientar que, apesar de serem ainda só quatro participações, a melhoria também se deve à experiência que ganhei na orientação, onde o estilo de corrida se adapta muito bem àquele piso. O meu poder de concentração nos pormenores e sentido de orientação deu para fazer o percurso sem enganos e muito menos andar perdido. Relativamente à balizagem e marcação do percurso, quero dizer que não esteve tão mal como alguns companheiros afirmavam à “boca cheia”. Melhorou relativamente ao ano passado e pode, tem que melhorar neste aspecto. O grupo de quatro atletas que seguia à minha frente, por duas ou três vezes foi alertado por mim que iam por caminhos errados. Normalmente os quatro ficariam à minha frente, mas de tanto andarem para a frente e para trás, dois deles, no último engano, já na Mizarela, já não tiveram força física e sobretudo anímica para voltarem a passar por mim!”
Pois Amigo Mota, foi na Mizarela que decidiu voltar para trás, e foi aí que os quatro amigos, referidos na minha mensagem, decidiram seguir em frente.
Sem dúvida que é frustrante “morrer na praia”. Chegar ao km 49 e andar para trás…imagino qual o sentimento, ou mistura de sentimentos que vai na sua alma.
Porém, ainda assim, considero um resultado excelente: 29º com 7:42:16.
Nada de desânimos, na próxima (Trans-Estrela) será melhor!