....Neste 3º Abastecimento, deu-se mais uma mudança na prova e esta mais doradoura.
O quinteto desfez-se e transformou-se num trio. Isto porque afinal o que eu julgava um quinteto tinha mais gente atras, e no abastecimento arranquei juntamente com o companheiro da Efacec e com o nosso João Lopes, durante uns bons quilometros por entre pedras e lama , o trio não desarmou e ora puxava eu, ora puxava o João, ora puxava o nosso colega de caminho. E assim nos mantivémos a um bom ritmo apenas quebrado na "Quebrada" onde agarrados aos pequenos eucaliptos e ás raízes (e afinal de contas a tudo o que apanhassemos) lá descemos e continuamos o caminho.
Nesta fase, começei a ir a baixo e o João foi para a frente marcar o ritmo, que começou a ser avassalador,e sendo assim o inevitável aconteceu....Nas pequenas mas ingremes subidas de Covide o João decidiu "descansar nas subidas" e lá se foi...a principio ainda pensei em tentar segui-lo, mas qual quê???? Pensar, bem pensei, mas as pernas não andam a pensamento.....Por isso o mais sensato foi mesmo manter o meu ritmo, e foi ver o João cada vez mais distante. Entretanto o colega da Efacec, tambem ficou para tras e eu fiquei só! Após Covide entrei na estrada que me levaria ao Campo do Geres, e ao longe entre as curvas ainda via o João, mas após a ultima dessas curvas deixei de o ver e lá pensei..."bem agora é que o João arrancou e só o vou ver no fim". Infelizmente nada disso...o João tinha-se perdido!
A passagem no Campo do Gerês foi espectacular, porque naquele momento em que por lá passei, estava-se a preparar a saida dos caminheiros, que não foram nada timidos e animavam bastante os corredores. Alem disso, estava mais um abastecimento num sitio muito agradável, e para mim um dos mais bonitos da prova. Como o abastecimento era num tipo túnel, estava mais escuro e só lá vi um vulto que pensava ser o Jão Lopes, mas não era. Era o Jorge Serrazina...espectaculo...já ia ter companhia para mais alguns quilometros (isto se eu aguentasse o Ritmo do Jorge).....
.....Um bom abastecimento de sólidos e lá partimos os dois em conjunto. Esta fase após o Campo do Geres é muito bonita, desde a aldeia de Campo, que está completamente restaurada (eu conhecia à alguns anos atrás e estava muito degradada), até à magnifica paisagem de Vilarinho das Furnas (se me perguntarem, qual o local mais lindo de Portugal, eu não iria ter muitas dúvidas....era ali)...
Mas nesta fase, não tinha muitas hipoteses de apreciar a paisagem, pois a descida até à linha de água era bem inclinada e muito escorregadia, por isso toda a atenção era pouca, e como eu sou medrosos nas descidas deixei-me ficar mais para trás do Jorge e com muito cuidado lá fui descendo, e admirando a técnica do Jorge nas descidas...de facto excelente...mas é de familia, pois já tive a oportunidade de correr tanto com o Luis como com a Glória e ambos os irmãos são muito fortes nas descidas.
Como não à fome que não dê em fartura, depois desta descida veio a subida mais dificil de toda a Geira, e vê-se logo que esta não foi feita pelos romanos (a original ficou submersa com a barragem, e por isso o parque do Gerês teve de improvisar uma ligação). A inclinação é mesmo muita e não há pernas que aguentem correr por ali acima, é mesmo trepar e quando é possivel, olhar para baixo, e disfarçando que se está a apreciar a paisagem, aproveita-se para recuperar o folego. Chegado lá ao alto, era mais uma vez altura de descer. O Jorge ia uns 20 metros à minha frente, e fez-me sinal que iria esperar por mim e assim foi, lá recolámos e entramos na Mata da Albergaria, a um ritmo controlado, pois este estradão apesar de não ter grandes dificuldades torna-se monótono e é claro que com os Quilometros que já levavamos, não era fácil. Por isso havia era que pensar em controlar a corrida pois até ao fim ainda existiam dificuldades bastantes......
....Com os Quilometros a fazerem-se sentir, havia que controlar a corrida e a saturação, o que a dois é bem mais facil de conseguir. E mais facil é ainda quando aparecem novos companheiros...."Onde é que voçes andaram que estão todos sujos??" Quem deste modo chegava junto a nós era o Herculano e o Germano da Real Academia. Diga-se que foi mesmo uma lufada de ar fresco, e sem querermos o ritmo aumentou um pouco pois os novos companheiros da Real Academia foram para a frente e nós, lá os seguimos a uma distância cautelosa de mais ou menos 20 mts, e assim nos mantivemos até ao Rio. Aqui deu-se mais uma mudança, pois devido às chuvas das ultimas semanas o rio que normalmente vai bem baixo desta vez ia cheio e forte. Como tal a organização colocou lá uma corda e um elemento para nos ajudar a passar esta dificuldade. Que para os resto do pessoal era e foi facil de transpor, mas para mim água é um problema dos grandes. Portanto a solução foi esperar que eles os 3 passassem o rio, deixassem a corda livre e só depois, sozinho é que arranjei coragem para passar a água (por muito que aprenda a nadar e vá à piscina, nunca hei-de ultrapassar este medo). O elemento da organização viu logo que eu tinha medo e foi a meu lado, ele sem corda, a indicar-me que pedras usar, e assim bem lentamente lá consegui chegar ao outro lado....Quem ler esta passagem e não ter estado na corrida até pode achar que o rio estava muito alto e bravo, mas sinceramente não estava, eu é que tenho mesmo muito medo.....
.....Após esta dificuldade (mais psicológica que fisica). Vi que tinha perdido o comboio, isto é, os meus 3 companheiros tinham disparado na corrida e lá fiquei eu isolado, mas eu sabia que ainda os poderia apanhar, e aquela paragem ali no rio, tambem serviu para recuperar alguma energia. Eu sabia que a fronteira da Portela do Homem estáva no fim desta subida e portanto tinha que por os pés ao caminho, e o terreno era propicio para isso, porque era sempre a subir, não havia nada que enganar e agora já nem a lama assustava, pois os sapatos já tinham ficado lavadinhos. Lá no meio da subida começei a estranhar não ver ninguem à minha frente, eles tinham mesmo acelerado, pensava eu! Mas depois de uma curva lá os vi ao longe a caminharem, e eu tentei não o fazer, pois sabia que se me mantivesse a correr ia ganhar terreno e aproximar-me deles. Na fronteira lá estava o ultimo abastecimento, eu a chegar e eles a partir. Fiquei mais descansado, na descida eu apanho-os! "Faltam cerca de 6Km, e é sempre a descer", foi o que me disseram no abastecimento (é engraçado conhecer o pessoal dos abastecimentos, desde Santiago é muito mais divertido!).
Eu sabia que era a descer, mas não imaginava as dificuldades que me esperavam, porque esta descida estava cheia de arvores, no inicio, e quando as arvores acabaram eram "lameiros de lama" bem disfarçados, porque por cima deles a erva era bem verde, portanto umas belas armadilhas, em que toda a atenção era fundamental porque senão havia problemas...Gradualmente, ia-me aproximando do dueto que ia à minha frente, sim era um dueto, porque o Jorge, já tinha disparado e só o voltamos a ver na meta, é incrivel aquela capacidade de descer! Sabia que me podia juntar ao Herculano e ao Germano a qualquer momento, mas tambem sabia que a descida era perigosa e convinha manter uma distancia de segurança, e ainda bem que o fiz, porque de repente, uma raiz atravessou-se no meu caminho e lá fui eu pelos ares, até parecia um Guarda Redes......Felizmente nada sofri a não ser o susto, lá me levantei e já que estava parado aproveitei para "desidratar um pouco". A descida lá continuou e já no fim dela o trio estava restabelecido. Estavamos mesmo quase a atingir o nosso objectivo e bem o sabiamos! Mal entramos no caminho que os Espanhois tinham recuperado de uma maneira muito moderna, demasiado para o meu gosto, tentei esticar um pouco a corda a ver como me sentia e durante uns 500mts isolei-me, mas foi sol de pouca dura pois os colegas da Real Academia não estavam pelos ajustes. Mas este meu acelerar deu para colocarmos um ritmo muito forte, e sinceramente não parecia que tinhamos mais de uma Maratona nas pernas. Estes ultimos quilometros foram espectaculares, porque iamos os 3 lado a lado e não havia nada que nos fizesse abrandar. Meta á vista, e já não havia vontade de acelerar mais, queriamos era festejar. Eu e o Herculano, mais uma vez porque já tinha acontecido nos Caminhos de Santiago, acabamos lado a lado e desta vez até no segundo acertamos. Assim acabamos em 17º Lugar execuo, com o tempo de 4h06'57'', logo seguidos do Germano com mais 2'', isto numa Ultramaratona é obra!!!!
Meus amigos, foi uma crónica, bem demorada, de mais uma prova que me deu um prazer imenso. Quem dera continuar a ter força para vos poder encontrar muitas e muitas vezes.....Avé Cesar...
A pouco mais de duas semanas da prova mais dificil do ano, a Ultra da Freita,está na altura de resumir os treinos desde o inicio do ano. Ao longo destes 6 meses, foi registando sempre os treinos e os resultados são estes graficos, e para concluir foram mesmo muitos quilometros e muitas horas a correr, mas valeu a pena.
Após a Geira, o que havia a fazer era descansar os musculos e preparar-me mentalmente, para algo completamente diferente em termos de dureza, o III Ultra da Freita. Se para a primeira prova do ano, Os caminhos de Santiago, o mais importante era preparar as pernas e o corpo para um endurance extremamente dificil, depois tive de me preparar para a Geira, que apesar de menos quilometragem tambem exigia um treino especifico, porque era trail.
Agora a Freita exige outro tipo de abordagem, que tem 3 vertentes. A primeira semelhante a Santiago, pois vão ser 51Km, mas mais do que isso vai o ser o tempo necessário para os cumprir, o ano passado foram 7h42'16''; a segunda é que estamos a falar de Trail, a terceira e a mais importante tem a ver com a extrema dureza desta prova com subidas de elevada dificuldade e descidas muito técnicas. Por isso para este programa de treino retirei um dia de séries (fiquei só com as séries de 400mts), passei a treinar em subidas, o mais acentuadas que consegui encontrar, mas isto sem retirar quilometragem aos treinos. Agora a faltar pouco mais de uma semana, e com as pernas bem cansadas, vou começar a retirar carga para dia 13 estar em forma. O Objectivo que me proponho é melhorar o meu tempo do ano passado e ver se consigo fazer a prova toda sem me perder......
Os treinos foram os seguintes:
Semana: 02/06 a 08/06:
Segunda Feira (02/06) : 20' de corrida bem lenta em relva, para recuperar da Geira
Terça Feira (03/06) : Descanso
Quarta Feira (04/06) : Descanso
Quinta Feira (05/06) : 34' a rolar em terra batida
Sexta Feira (06/06) : 46' a rolar bem lento mas já em alcatrão
Sabado (07/06) : De volta aos montes, e o inicio das subidas e (o mais dificil nesta fase), as descidas. Foram 9.6Km em 1h06'
Domingo (08/06) : Uma verdadeira Aventura, participei "Numa Aventura em.." Aguiar de Sousa. E meus caros, não tenho jeito nenhum para a orientação, pelo menos neste tipo. Foi em equipa, eu e mais um amigo, e se o inicio ainda correu bem, já que conseguimos 5 pontos de controlo (era em pedestre), quando procuravamos pelo 6º ponto...demos justiça ao nome da equipa "Team Lost", é que ficamos mesmo perdidos, não faziamos a minima ideia onde estavamos, nem como voltar para o local de partida!!! Mas entratanto lá conseguimos encontrar a meta, mas já fora do tempo estipulado. Mas mesmo assim ainda fizemos a BTT, mas como estavamos desmoralizados...Enfim...ficamos em ultimo....
Se a semana anterior foi essencialmente descanso, esta já foi a passagem para um tipo de treino mais duro em termos de declives, mas ainda com baixa quilometragem assim:
Segunda Feira (09/06) : Descanso
Terça Feira (10/06) : Subida ao Bom Jesus e Sameiro pela estrada e pelos escadórios e descida pela Falperra, foram 14 Km em 1h24'. Bem lento e bem cansativo, principalmente nos escadórios
Quarta Feira (11/06) : Descanso
Quinta Feira (12/06) : Mais um treino de Subidas, mas agora só ao Sameiro, mas com voltas e repetições. 21.3Km em 1h50'
Sexta Feira (13/06) : Treino plano e a rolar sem grandes esforços. 18.3 Km em 1h35'
Sabado (14/06) : Descanso
Domingo (15/06) : Graças a uma prova de BTT que houve nos montes da Falperra, descobri um trilho novo, que vim a verificar, é bastante longo e que por isso vai ser o meu local de treino nos proximos tempos. Assim foi treino em trilhos de 15Km em 1h30'
Esta foi uma semana de um aumento considerável de quilometragem mas tambem de temperatura, o que dificultou bastante os treinos. E tambem foi uma semana em que pela primeira vez experimentei treinos Bi-diários (não sei se correr duas vezes no mesmo dia é bem treino bi-diário, mas pronto...)
Segunda Feira (16/06) : Descanso
Terça Feira (17/06) : Treino Bi-diário; Manhã: treino de estrada, plano, 14 Km em 1h07' ; Tarde: Treino em trilhos, 18Km em 1h54'
Quarta Feira (18/06) : Senti-me cansado do dia anterior, mas as pernas após 30' de corrida estavam soltas. 12Km em 60'
Quinta Feira (19/06) : Treino de subidas pela estrada mas bem duro, onde incluí Sameiro, Bom Jesus e Monte das Cortiças. 20.5Km em 2h03'
Sexta Feira (20/06) : Mais um treino Bi-diário; Manhã: 8Km em 46'; Tarde: Séries de 400mts, em que começei com 30' de aquecimento e fiz 8*400. A pior série foi de 78'' (a ultima) e a melhor foi de 74'' (a primeira), e no fim foram 15' de retorno, e já muito cansado.
Sabado (21/06) : Aproveitei, uma iniciativa do .Com (Clube de Orientação do Minho), e com a Isabel fomos fazer uma prova de Orientação no Complexo Desportivo da Rodovia, aqui em Braga. Gostei mesmo muito, apesar de ser um mapa de iniciação, foi muito bom e divertido. Eu fiz a prova OPT3 e em 11 concorrentes fiz o 8º lugar. O que foi excelente foi o prazer de fazer Orientação, e ter ficado com a certeza que quero repetir, só falta mesmo compreender melhor os mapas mas isso acho que só participando em provas. Já a Isabel participou no OPT2, e em 6 concorrentes foi a 4ª, sendo a primeira mulher, e para ela foi mesmo simples, acho que é inato. Depois da aventura da manhã, fui treinar em trilhos 20Km em 2h03'
Novo aumento de quilometragem, sendo esta semana a que meti mais quilometros com vista ao Ultra da Freita
Segunda Feira (23/06) : Não houve treino porque um valor mais alto se levantou....Fui dar Sangue
Terça Feira (24/06) : Já recuperado do dia anterior, de facto ao nível de treino não julgo que a dádiva de sangue nos afecte muito, claro que notei um ligeiro cansaço mas nada de especial. Foi um treino de trilhos, de 24km em 2h28'
Quarta Feira (25/06) : Treino em estrada e em plano. 18.3Km em 1h42'
Quinta Feira (26/06) : Novamente em estrada e em Plano. 22.1Km em 2h02
Sexta Feira (27/06) : Treino bi-diario. Manhã: 8.5Km em plano, 50'; Tarde: Séries de 400mts. Começei pelo aquecimento de 30' e depois fiz 10*400mts. Foram as séries mais lentas e dificeis dos ultimos tempos, há já muito tempo que não sofria assim. Pior série:83'' (a primeira) e a melhor 80'' as duas ultimas, valha isso. Sabado (28/06) : 13Km em trilhos, 1h17'
Penúltima semana antes da Prova, está na altura de começar a reduzir, e se não reduzi muito na quilometragem, reduzi bastante nos andamentos
Segunda Feira (30/06) : Rolar em Plano. 16.3Km em 1h30'
Terça Feira (01/07) : De volta aos Trilhos. 26Km em 2h34'
Quarta Feira (02/07) : Estrada, e em Plano. 18.3Km em 1h30'
Quinta Feira (03/07) : De tanto procurar, cheguei onde cria chegar, e não estou a falar de atletismo, finalmente parece que a minha vida profissional, vai entrar no trilho que ando, ha anos, à procura. Por isso e para festejar...Não treinei
Sexta Feira (04/07) : Dia de séries. 30' de aquecimento seguidos de 8*400mts, e para acabar 17' a rolar bem lento. Mais uma vez, a exemplo da semana anterior, tive muitas dificuldades nas séries, e julgo que a razão está nos treinos de subidas. De qualquer modo, estive um pouco mais rápido que na Sexta passada. Pior série: 80''; melhor série: 77'' ( e mais uma vez a ultima, o que me deixa confiante)
Sabado (05/07) : 16.1 Km, em 1h21' em alcatrão e em Plano
Domingo (06/07) : Ultimo Treino de Trilhos antes da Freita. 23Km em 2h21'