Vejam só a alegria dos atletas mesmo com 120?! km nas pernas ....sempre sorridentes hehe
João Faustino
 
Vejam só a alegria dos atletas mesmo com 120?! km nas pernas ....sempre sorridentes hehe
João Faustino
come on boy , you´re a runner not an hiker .
.....que grandes malhas ...... o grupo mais bem disposto
come on boy , you´re a runner not an hiker .
Meia-noite. 18 atletas partem debaixo da Pala de Siza Vieira no Parque das Nações para uma peregrinação de 146 km. Para muitos (como eu) será (se completarem a prova) batido o record de distância numa prova desportiva.
Apesar da enorme distância, logo que se dá o apito de partida, parto ao meu ritmo normal semelhante às provas mais curtas (maratonas). Isolo-me desde o início, alguém do pelotão ainda me avisa para ir mais devagar mas estando bem não consigo fazê-lo. Logo à saída do Parque da Nações o primeiro contra-tempo. A passagem junto ao rio está fechada para obras. Tenho de esperar pelos colegas para saber que direcção seguir.
A saída de Lisboa é algo complicada. É preciso contornar rotundas e os membros da organização estão atentos em encaminhar os atletas para as vias correctas. Até que se entra num trilho de alguns quilómetros junto ao rio Trancão. Este é bastante irregular e após ter torcido os 2 pés em dois buracos, decido diminuir o ritmo neste percurso. No meio da escuridão absoluta, as luzes do meu frontal encontram pares de olhos de alguns gatos.
Chego a V. F. de Xira dentro do tempo que tinha previsto (tinha dito à minha família que tinha intenção de chegar a Fátima a tempo de almoçar por volta das 13.30).
Sou acompanhado, quase sempre pelo Carlos Fonseca e o seu filho que também ele iria bater um record pessoal: numa tinha pedalado mais de 40 km e acabou por me fazer companhia até Monsanto (mais de 100 km).
Antes de chegar a Valada (ainda de noite), ia em amena cavaqueira com o Carlos na estrada de alcatrão que conhecia bem, quando o filho que ia uns 30 metros atrás, grita que há um marco a indicar “Caminhos de Fátima” à direita. Eu e o Carlos voltamos para trás e entramos num estradão de terra batida. Após 1 km o estradão desaparece e dou de caras com um terreno agrícola lavrado. Hesito uns segundos, sigo pela borda do terreno (do tamanho de um campo de futebol) à procura de uma saída mas ela não existe. Volto para trás e vou em direcção à estrada que me iria levar a Valada quando olho para trás e vejo o Carlos e o filho a entrar num outro caminho. Volto novamente para trás e sigo esse caminho até a uma vedação de ferro. Volto a hesitar. Passo a vedação e volto a dar de caras com outro terreno agrícola. Há um caminho que ladeia o terreno, mas não arrisco a ir por aí. Digo ao Carlos que vou seguir pela estrada até Valada. Já na estrada e 1 km mais à frente, há uma seta azul e amarela a indicar que vamos bem. Acabo por não compreender a indicação daquele marco que me fez perder uns 20 minutos. Chego a Valada já de dia e aí decido deixar o colete reflector.
Chego a Santarém com quase 1 hora de atraso em relação ao horário previsto. A saída de Santarém é complicada. Para não retirar vantagens de estar acompanhado pelo Carlos e o filho (que parecem também não saber o caminho), vou perguntando às pessoas pelos “Caminhos de Fátima”. O Carlos vai assinalando na estrada com um giz esse caminho para os outros atletas não se perderem.
Próximo da saída da cidade, numa zona residencial, dá-me uma vontade repentina de ir à sanita. Pergunto a uma senhora onde há um café. Ela diz-me que tenho de andar uns 300 metros. Em poucos segundos a aflição aumenta até ao intolerável. Não consigo chegar ao café! Vejo uma senhora de idade em frente à sua casa pobre e quase em ruínas. Digo-lhe (quase em forma de ordem) onde é que ela tem uma casa de banho! Ela aponta à esquerda numa espécie de barraca mas avisa-me que a sanita está ligada directamente à fossa e por isso cheira muito mal. Efectivamente o cheiro era nauseabundo mas nunca me senti tão aliviado! Por muito pouco não fiz as necessidades pelas pernas abaixo como vi o ano passado com uma atleta ucraniana na maratona de Lisboa.
Prossigo a correria 1 kg mais leve. Vejo muitas cobras mortas na estrada. As indicações para os “Caminhos de Fátima” são claras. Só é preciso estar com atenção.
Pouco depois da saída de Santos essa atenção falhou. Havia partes do percurso em que o Carlos e o filho ficavam para trás ou adiantavam-se deixando de os ver. Não consigo saber ao certo em que local me enganei no percurso. De um momento para o outro, em vez de marcos e setas amarelas a indicar “Caminhos de Fátima” vejo laços amarelos. Sigo os laços durante uns 2 km. Paro num café mais 5 minutos para aliviar a tripa. Prossigo caminho e após mais 1 km sou obrigado a parar mais uma vez num café. Nunca tinha sentido vontade de fazer necessidades sólidas numa prova e nesta já era a 3ª.
Prossigo caminho por estrada convencido que estava no caminho correcto mas os laços amarelos desaparecem. Para evitar correr na dúvida pergunto a 2 pedreiros se estava a ir nos “Caminhos de Fátima”. Dizem-me que não. Tinha que subir uma serra em direcção a uns moinhos. Indicam-me um caminho possível. Vou por esse caminho que bifurca em dois a meio da subida. Escolho o caminho da esquerda que sobe e depois desce e entronca mais 2 caminhos! Estou completamente perdido. Prossigo ao calhas na direcção onde penso que seja Monsanto (terra que conheço) até que volto a entrar na estrada até uma aldeia (não me lembro o nome). Aí pergunto pelos “Caminhos de Fátima” mas ninguém me dá certezas da localização correcta então decido perguntar por Monsanto. Uma senhora diz-me que faltam 10 km e que tinha que passar primeiro por Amiais de Baixo. Desde Santos já tinha andado 12 km pelo que iria fazer 22 km em vez de 18. Chego a Amiais 4 km depois e penso que a senhora me tinha informado mal quanto aos km para Monsanto. Como acho que está mais perto, volto a perguntar quantos km faltam. Cerca de 3. Afinal só vou fazer 1 km a mais do que os 18 da etapa.
Chego a Monsanto onde está a minha família. Digo-lhes que não vou almoçar com eles. Vou atrasado mais de 1 hora e a vontade de comer não é muita. Só bananas e pouco mais. O Carlos e o filho chegam nesse momento e explico-lhes que as fitas amarelas me enganaram. O Carlos responde-me que aquelas fitas eram do btt.
Prossigo até Minde. São 10 km muito difíceis. Aqui o joelho direito começa a doer-me. Na descida (de inclinação de 10 %) para Minde o joelho cede e quase que caio. Nesse preciso momento passa por mim um grupo de ciclista que tinha partido de Sacavém às 4 horas e ao ver o meu estado param e perguntam se preciso de ajuda. Agradeço digo que não pois teria ajuda em Minde. Faço a descida a caminhar. Ao chegar a Minde sigo as indicações bastante claras mas não dou com o abastecimento. Saio de Minde mas paro para telefonar à minha irmã (que estava em Minde) a perguntar pelo abastecimento até que chega o Carlos que me trás água. Prossigo o sacrifício.
A 8 km da meta, o joelho direito dá as últimas. Tenho alguns espasmos musculares. Procuro fazer alongamentos mas sinto que é impossível continuar a correr. Até que se dá um milagre (talvez por estar perto de Fátima). Passa o Eduardo de carro que pára para me dar duas bisnagas de um gel que não conhecia: OVERSTIM. Imediatamente, sinto o sangue subir-me à cabeça e em 3-4 minutos as pernas adquirem mobilidade. Fantástico o efeito daquele gel. Volto a conseguir correr até á meta após pouco mais de 16 horas de prova.
Finalizo esta crónica com felicitações a todos os atletas, organizadores (Eduardo aquele gel é dinamite para as pernas…) e massagistas. Uma palavra especial para a Analice. Conseguir acabar uma prova desta distância com esta dureza em menos de 24 horas é uma proeza que não deve igual no mundo.
PS. Alinho na sugestão de começar esta prova mais cedo: 21 – 22 horas seria a hora ideal de modo a desmontar a tenda antes do jantar.
IV ULTRA MARATONA CAMINHOS DO TEJO
PARABÉNS ONZE MAGNÍFICOS que concluíram estes 146km desta Ultra Maratona. Foram Bravos. Neles estão 2 super heroínas (Verónica e Analice).
O Desidério é cá uma coisa........BRUTAL.
Aquele grupo unido dos 4 (Álvaro, Mimoso, David e o meu amigo Abutre Zé Carlos) que em conjunto percorreram os 146km e com quem tive o privilégio de estar mais tempo a acompanhá-los foram de uma união exemplar, um espirito incrivel, com o propósito firme de cumprirem com a missão que levavam a cabo - chegar a Fátima. E aquelas cevadas (foto) vieram mesmo a calhar. Eu não me esqueço q vos devo uma. Grande Equipa dos 4. Para vós o meu grande abraço triunfal.
E a Analice..............não há palavras para aquela mulher que todos conhecemos. Espectáculo.
Aos que não conseguiram atingir o objectivo a que se tinham proposto. Hão-de conseguir estou certo, ontem não foi o vosso dia, mas ele chegará concerteza que sim.
Da Organização. É à MUNDODACORRIDA. Procurou-se fazer todos os possíveis e impossíveis para ajudar estes MAGNÍFICOS a concluir esta Peregrinação que tinham em mente. Pessoalmente sinto-me satisfeito.
1 abraço para todos.
Muitos parabéns amigos. a todos.
Mais uma para juntar ao vosso curriculo de Ultra-Ultra Maratonistas, eu o Zé Fernandes com os Abutres Pedro, Lamas e Bandarra, fizemos um Ultra Treino de 73km de Miranda a Fátima e temos a noção, que só com muito espirito de sacrificio, e grande capacidade de sofrimento, se consegue tamanha proeza.
Zé foi a tua primeira prova pelos Abutres, e foste um grande exemplo para todos nós.... foi uma entrada não de Abutre, mas sim de leão, no nosso mundo, colocaste a fasquia muito alta, futuramente iremos tentar responder, sabemos de antemão que não vai ser tarefa facil.
Um abraço para todos, estes amigos heróis
Ja agora tambem queria agradecer ao pessoal da Escola de Massagem 4NTEP foram??...huummm....como é que eu devo dizer ?.....ESPECTACULARES
..incansaveis ..eram 7 da manha ja estavam a dar a primeira massagem ..e continuaram todooo o dia ate as 9 da noite ....fantasticos ....incrivel a dedicaçao daquele pessoal ...todooo o dia a nossa espera e sempre bem dispostos e prontos a ajudar na recuperação
que grandes amigalhaços .....muitoooooooo bom
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come on boy , you´re a runner not an hiker .
Quero aqui deixar os meus sinceros e merecidos parabéns a todos os heróis que concluiram com sucesso esta enorme aventura e desafio pessoal. Naturalmente dou os parabéns pela magnifica e estrondosa vitória ao Desidério, foi simplesmente avassalador !
Os meus parabéns á Verónica pelo seu 1º lugar femenino e excelente prova com um magnifico tempo .
Grande Faustino que fez também uma grande prova com muito sorrisos á mistura.
Amigo Pedro Marques cumpriu com sucesso e conjuntamente com a Verónica formaram uma boa dupla .
O Alessandro apesar de um momento extra de dificuldade, baixa de tensão , não baixou os braços e lá foi ele, determinado a concluir pela 2ª vez os Caminhos do Tejo.
Para o Pardal também os meus parabéns, pois além de ter concluido , foi entre todos os finalistas, dos que fisicamente melhor cara apresentava, parecendo que nem estava a fazer tantos kms .
Que hei-de dizer do magnifico grupo de 4 bravos "mosqueteiros", formado pelo Sr Presidente Álvaro, Mimoso, David e Zé Carlos Fernandes ? São simplesmente fantásticos. È uma honra para mim ser vosso amigo,pois foram unidos e com muita amizade e alegria e assim tornaram mais fácil as vossas dificuldades. Bravo amigos!
E claro uma palavra muito especial para a Analice, pois com 66 anos, mostrou mais uma vez a sua enorme garra e determinação, sendo um exemplo de bravura , a quem tenho de tirar mais uma vez o meu chapéu pela tua tenacidade.
Sendo sincero, não esperava que ela fizesse como fez uma grandiosa última etapa, pois á chegada á Minde apresentava uma cara de muito esforço, mas conseguiu ultrapassar essas dificuldades e surpreenderme uma vez mais pela positiva. Bravo campeã!
Merecem também uma palavra de apreço todos os que iniciaram esta aventura e por um motivo ou outro não a tenham concluido, pois enfrentaram-na, e acredito que noutra oportunidade conseguirão o vosso objectivo de a concluir.
Foi para mim um enorme orgulho fazer parte da magnifica organização do Mundo da Corrida (desculpem os elogios em causa própria, mas acho que também os merecemos), pois tudo tentámos fazer e dar da nossa parte para que os atletas se sentissem bem e acarinhados no seu enorme desafio.
Todos tentámos para que tivessem os melhores abastecimentos e se sentissem motivados , não foifácil reconheço, mas era uma enorme satisfação , ver os vossos sorrisos, a vossa determinação, cada vez que passavam por mim.
Parabéns a todos, participantes e organização por mais uma edição.
Abraço
Zé Magro
Viva o Mundo da Corrida ! Viva o Atletismo com alegria ! viva a Amizade !!
[QUOTE=nuno alexandre;77574]
Parabêns CAMPEÕES, voçês são o meu orgulho.
Que inveja eu tenho de não ter estado ai a dar-vos força.
Abraços.
Quero repartir parte da (Coroa de Louros) que me cabe com a grande equipa dos ‘TACHOS/PANELAS’ , que tudo deram para o nosso bem-estar.
Para vocês GRANDES MULHERES um grande beijo de muito obrigado.
Álvaro Pinto