Sonhos
Claúdio nasceu nos arredores de Paris, mas não
chegou a conhecer a sua terra natal.
Os pais rumaram a Lisboa por motivos familiares, ainda tinha meses.
Passados 36 anos Cláudio Gaspar, atleta dos Avisenses, foi um dos amigos que me
acompanhou na recente deslocação à Maratona de Paris.
Foi a sua primeira deslocação à terra que o viu nascer.
O sonho era muito grande, vestido a rigor com um fato de treino com o nome de
Portugal, Cláudio foi um grande representante do nosso País na 29ª Maratona de
Paris.
Emocionou-me a maneira como chorou quando o avião levantou rumo a Lisboa na hora
da despedida.
Pela pequena janela do seu lado, olhando as terras lá em baixo, entre muitas
lágrimas dizia:
«...adeus, adeus, adeus Paris!!! Um dia vou voltar com mais tempo»
Cláudio Gaspar bateu o seu recorde pessoal ao fazer 3h02m.
Cláudio é um excelente atleta, não treina, só faz provas!!!quando chegámos a
Lisboa disse-me no meio de uma conversa:
«...eu não sei treinar, nem sei se treino, acho que só corro!!!»
Ai Cláudio, se não fossem os teus maravilhosos bolinhos...
Outra das minhas companhias a Paris, foi António Agostinho, com pouco tempo de
corrida, ia estrear-se na distância!!! O seu sonho era completar os 42 km
António tem família em Paris, o que facilitou a nossa presença em termos de
estadia.
Fomos muito bem recebidos pelo seu irmão e pelos portugueses que conhecemos num
café português, onde costuma parar a comunidade portuguesa.
António acabou a maratona com 4h10m.
Paris estava ao rubro, realizei a marca mais fraca das minhas 27 maratonas
(2h58m) mas sem dúvida que foi a par da maratona de Londres em 1987 a maratona
que me deu mais prazer correr!!!
Mal preparado controlei o andamento conforme quis, com o objectivo definido
previamente de fazer menos de 3h. Esse objectivo foi conseguido na integra.
A grande diferença entre correr no meio de milhares de atletas e de público a
apoiar e o correr só (como acontece em Portugal), é que não nos apercebemos dos
períodos de quebra.
A correr com a camisola do clube do sargento da armada, por volta dos 33 km,
senti um toque no ombro:
olá amigo!!! és Sargento da Armada???
eu sou sargento da armada reformado... é bom ver esse clube por aqui
ainda conseguimos conversar mais um pouco, mas por volta dos 36 km, o meu amigo
começou a ficar para trás e não mais o vi.
Em termos de organização, será difícil fazer melhor.
Gostei da pasta, não esperámos muito para entrar, boa partida, boa chegada,
bastantes líquidos e sólidos
Não vi bebidas isotónicas, o que me surpreendeu, pelo que tive de recorrer aos
cubos de açúcar desde os 10 km.
ES
Os meus parabéns a todos
os portugueses participantes e um agradecimento muito especial à Ana Pereira
pela excelente reportagem fotográfica que efectuou e o apoio que nos deu.