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O treino
intervalado é o meio de preparação física mais eficaz para preparar os atletas
para boas prestações em competição. Este tipo de treino compreende
alternâncias entre período de trabalho e de recuperação. Com intensidades e
durações controladas, ao mesmo tempo que exige uma orientação das variáveis de
treino nos objectivos propostos.
O treino
intervalado é considerado o período científico do treino desportivo. Nasceu da
evolução ao longo dos tempos dos métodos para corredores de fundo e meio
fundo, esse tipo de treino teve início na Alemanha em 1939 criado por Woldemar
Gerschller, considerado o criador do interval-training, que mais tarde se
juntou ao fisiologista também alemão Herbert Reidell, que após trabalhos
experimentais formularam a concepção científica do treino intervalado.
Foram
efectuadas experiências baseadas em treinos com distâncias de 400 e 800m, 200
e 400m, e de 200 e 300m. Nessa altura concluíram que as distâncias ideais para
o treino intervalado seriam de 100 e 200m. O intervalo entre os estímulos não
ultrapassava o tempo de 1 minuto e a acção durante esse intervalo era
caminhar, trotar e combinar esses dois tipos de actividades. Essa acção era
chamada de pausa activa ou repouso activo.
A partir
de 1952 novas alterações surgiram na concepção científica do treino
intervalado de Gerschller e Reidell. No decorrer dos anos novos fisiologistas
e treinadores aperfeiçoaram o treino intervalado, sendo que a principal
pontuação científica evidenciada foi justamente a diferença em termos de
resultados orgânicos do intervalo longo e do intervalo curto.
O
uruguaio Jorge Hegedus em 1976 com base numa minuciosa revisão da literatura
internacional sobre o interval training, sintetizou as principais modificações
surgidas e empregadas nas preparações modernas de alta competição desse método
de treino, principalmente da variabilidade nas sessões. Hegedus preconiza o
interval training como um sistema de trabalho determinado por uma sucessão de
esforços sub-máximos com intervalos incompletos de recuperação.
Hoje o
interval training faz parte da preparação desportiva praticamente em todos os
desportos.
Nesta altura o interval training recebe várias denominações: Treino com cargas
intervaladas, Treino parcelado, Treino intervalado, Treino fraccionado, Treino
de repetições, treino de esforço e contra-esforço, Treino de esforço e pausa.
O
EMPREGO DO TREINO INTERVALADO
- O treino Intervalado modificou-se
muito pouco quanto às indicações de qualidades físicas que podem ser
desenvolvidas com esse tipo de treino.
- A evolução da fórmula do treino intervalado.
- A concepção do treino intervalado foi recriada, dando-lhe uma conotação
científica, foi estabelecida uma fórmula com 5 factores de treino para as suas
sessões.
D.T.R.I.A.
D – Distâncias de treino
T – Tempo para cobrir as distâncias
R – Nº de repetições das distâncias
I – Intervalo a ser cumprido
A – Acção
durante os intervalos
Com o avanço científico e
tecnológico, algumas alterações ocorreram na fórmula do treino intervalado, as
quais praticamente actualizaram o emprego do treino intervalado na preparação
de alta competição.
Com o decorrer dos anos e analisando os resultados que entretanto iam sendo
obtidos, foram estabelecidas novas variáveis:
A troca do antigo factor D
(distâncias) para E (estímulos), já que nem sempre serão em distâncias os
esforços dos atletas. A reformulação da importância dada ao antigo factor A
(acção) que durante os intervalos, passaram a indicar a fórmula do Treino
Intervalado somente com 4 variáveis, sem a acção nos intervalos.
Nova fórmula E.T. R.I. - (E)
Estímulos (T) Tempo (R) Repetições (I) Intervalo.
O maior emprego do Treino
Intervalado ocorre quando se objectiva a resistência anaeróbica, já que esse
tipo de treino é o principal meio para a melhoria dessa capacidade física.
No Treino Intervalado, quando se
busca a resistência aeróbica através do emprego do Treino por Intervalos, o
procedimento mais adequado é o uso de intervalos curtos. Nesse Caso, é
importante esclarecer que esse tipo de treino deverá fazer parte de programas
de preparação física que também constem de treinos contínuos.
A melhoria da velocidade, ritmo e
força explosiva, ocorrerão pelo emprego normal do Treino Intervalado. No caso
da força explosiva (Potência Muscular), essa capacidade física será
desenvolvida nos grupos musculares agonistas envolvidos nos esforços dos
estímulos.
O Treino Intervalado com intervalos
curtos. É o emprego de treino, que com a utilização conjunta do treino
contínuo, num mesmo programa de preparação age no desenvolvimento da endurance
(Resistência Aeróbica). O uso desse tipo de Treino Intervalado, faz com que
ocorra durante o intervalo um recarregamento de fontes de ATP e CP, que
poderão proporcionar a energia ao estímulo seguinte, ao mesmo tempo que
retarda a acumulação de ácido láctico em níveis elevados.
O Treino Intervalado (T.I.) com
intervalos longos também é denominado treino de repetições. É um dos tipos de
T.I. que serve no desenvolvimento específico da resistência anaeróbica. Neste
tipo de emprego de T.I., a maior parte da energia é proveniente da
decomposição anaeróbica do glicogénio no citoplasma da célula muscular, o que
explica que os intervalos longos aumentam as reservas de glicogénio nos
músculos para suportar elevadas concentrações de ácido láctico.
O T.I. com intervalos longos
representa uma forma bem efectiva de treino, pois as exigências funcionais
estimulam o estado do organismo, aumentando a adaptação a trabalhos de alta
intensidade.
A VARIAÇÃO DO TREINO
INTERVALADO
Sem dúvida a variabilidade dos
estímulos, tempos, n.º de repetições e intervalos nas sessões foi a melhor
inovação nos últimos anos no emprego do Treino Intervalado. Além disso pode-se
concluir que a variabilidade nas cargas e intervalos provocam um
desenvolvimento mais considerável na capacidade anaeróbica em atletas
principiantes.
Qualidades Físicas de base
descritas com a finalidade da sua utilização como estímulos para treinos
contínuos e intervalados:
Endurance orgânica:
é a capacidade de realizar durante um longo tempo, um esforço de fraca
intensidade, com um regime cardíaco entre 120-140 batimentos por minuto.
Endurance Muscular:
é a capacidade de realizar um esforço muscular de fraca intensidade, durante
um tempo relativamente longo com numerosa repetições. Em 120-140 por minuto.
Resistência Orgânica:
É a capacidade de realizar, durante um tempo
relativamente longo um esforço de intensidade média ou forte, com um regime
cardíaco entre 150-190 bpm. Atletas de alto nível chegam a trabalhar com 200
bpm.
Resistência Muscular:
É a capacidade de realizar um esforço muscular de média
intensidade, variando de 30 a 50% da força máxima, durante um tempo
relativamente longo com numerosas repetições um regime cardíaco superior a
150bpm.
Força e Potência:
força é a capacidade de vencer uma resistência. É o efeito da contracção de um
músculo ou grupo de músculos.
Potência: é a possibilidade de
realizar um trabalho máximo no mínimo de tempo ou, ainda, é faculdade de
realizar uma força considerável em movimentos rápidos.
Esforços Máximos:
séries de 1 a 5 repetições com 85% a 95% da força máxima.
Esforços Sub-máximos:
séries de 6 a 8 repetições com 65% a 80% da força
máxima.
Velocidade: é a
faculdade de executar acções motoras num espaço de tempo mínimo. A capacidade
de realizar movimentos à velocidade máxima depende, entre outros factores, da
força, do relaxamento e da habilidade técnica.
Explosão: é a
faculdade de contrair a totalidade de um músculo com a solicitação do máximo
de fibras musculares no mínimo de tempo. A explosão é a mais pura forma de
velocidade.
Flexibilidade: é a
capacidade de efectuar movimentos de grande amplitude dentro dos limites
permitidos pela mobilidade normal das articulações. A flexibilidade depende da
elasticidade dos músculos e dos ligamentos da temperatura externa e do
movimento em que são feitos os exercícios, do grau de aquecimento ou de
fadiga.
Coordenação: é a
qualidade que permite a realização de movimentos sem contracções prejudiciais.
Ela visa a combinar a acção de vários grupos musculares para realizar um
movimento com o máximo de rendimento. É a coordenação dos músculos agonistas e
antagonistas.
Efeitos do trabalho de velocidade e
explosão no organismo produzem os mais importantes efeitos de espessamento do
músculo cardíaco e aumento do débito sistálico.
No plano muscular melhoram a
potência, porém, têm efeitos mínimos de resistência muscular localizada.
A sua estimulação usada no treino
melhora a qualidade e intensidade dos movimentos além de provocar adaptação
muscular a esforços intensos.
EFEITOS DO TRABALHO DE ENDURANCE SOBRE O
ORGANISMO
Os efeitos de esforço cardíaco
serão mais ou menos sensíveis, dependendo da duração dos intervalos.
Pulso a 120 bpm, muito esforço.
Pulso a 90-96 bpm, pouco esforço.
Utilizados exclusivamente provocam
poucos efeitos de espessamento da parede cardíaca, sobretudo se forem
realizados com intervalos inactivos. Utilizados com o trabalho de endurance,
preparam o coração para grandes esforços, sem efeitos sensíveis de musculação
cardíaca, se feitos com recuperação completa de 90-96 bpm.
Com a pulsação entre 150-165 bpm,
através da sua longa duração provocam um débito de O2 importante e em
consequência fazem o organismo suportar, durante um tempo relativamente longo,
uma elevada taxa de ácido láctico. Obtem-se de um modo geral, os efeitos da
musculação cardíaca. Na prática são utilizados de maneira exclusiva, e
produzirão efeitos de resistência. Combinados com o trabalho de endurance, os
efeitos de resistência serão menores.
Utilizados durante alguns treinos
de endurance, produzirão efeitos mínimos de resistência.
Correctamente utilizados com o
trabalho de endurance, este tipo de treino constitui uma excelente preparação
para a fase de “entrar em forma”.
ADAPTAÇÔES ORGÂNICAS FUNCIONAIS DO TREINO
O
aumento da capilarização dos músculos acompanhada de uma melhor irrigação
sanguínea;
Aumento da produção de
acetil-colina dilatador das artérias e transportador químico do estímulo
nervoso ao músculo
Aumento das cavidades cardíacas.
Diminuição do ritmo cardíaco,
efeitos de poupança sobre o metabolismo.
Diminuição da pressão arterial
efeitos de repouso.
Sensação tranquilizante
Aumenta o teor de glicogénio do
músculo
Aumenta a taxa de ATP.
Desenvolve a vontade, a fibra, a
coragem e a capacidade de suportar sofrimento
Fortalecimento do músculo cardíaco
Espessamento da parede cardíaco e
aumento do tônus muscular.
Estabilização do ritmo cardíaco
Aumento das reservas alcalinas do
sangue capacidade de suportar uma elevada taxa de ácido láctico durante um
tempo relativamente longo
Tolerância cada
vez maior no débito de oxigénio, graças ao aumento das reservas energéticas
disponíveis de imediato
Fontes: Eduardo Santos/O Mundo da
Corrida/Universidade Lusófona/Dicionário Merkx
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