O SALTO COM VARA

 

 

 

 

A Técnica do Salto com Vara

O desenvolvimento das varas de fibra de vidro não só levou a um enorme aperfeiçoamento da técnica como também a uma mudança decisiva. As varas flexíveis permitem, sobretudo, uma maior altura de pega; a corrida de balanço e a impulsão tornam-se, desta forma, decisivas para os parâmetros de aplicação prática. Juntamente com a técnica., o tipo de saltador com vara também se modificou: a variedade deve ser completada através de excelentes qualidades de sprint ( os melhores do mundo correm em 10,5 segundos e mais rápido os 100 metros ) 

Os Parâmetros de aplicação prática no salto com vara são a condição física e a técnica.

As partes principais da condição física são:

Velocidade na corrida de balanço

Força de impulsão

Força dos braços e do tronco

Destreza e elasticidade de salto

Sentido de Movimento

As partes principais da técnica são:

- Corrida de balanço e impulsão com movimento de encaixe

-Flexão da vara e fase de enrolamento ( pêndulo )

-Extensão e rotações

-Fase da perda de contacto com a vara e transposição da fasquia

-Queda

As opiniões divergentes acerca da técnica ideal estão de acordo num ponto e é no que diz respeito as qualidades físicas do saltador, pois a técnica do salto com vara está principalmente dependente das leis biomecânicas, que acompanham o salto com vara flexível. Pesquisas científicas e análises feitas por computador nos últimos anos fornecem dados pormenorizados acerca da técnica ideal. Neste caso têm de ser observadas algumas condições básicas biomecânicas.

Em cada fase de salto, o saltador tem uma tarefa principal:

Corrida de balanço - Alcance da máxima velocidade horizontal

Encaixe - Transmissão ideal da energia para a vara

Impulsão - Transformar a velocidade horizontal em velocidade vertical

Enrolamento (pêndulo) - Manter a flexão o maior tempo possível

Tracção com os braços - A energia armazenada é transferida para os braços

Extensão - Manter o centro de gravidade do corpo junto à vara

Transposição da fasquia - Deslocação favorável dos centros de gravidade de cada uma das partes do corpo

 

1º - Corrida de Balanço e Impulsão

 

A velocidade de corrida de balanço juntamente com o encaixe e a impulsão pertencem aos parâmetros mais importantes. Por conseguinte, na corrida de balanço deve obter-se a maior velocidade possível, mas controlada, bem como a preparação do encaixe e a regulação da impulsão.

O comprimento da corrida de balanço encontra-se dependente da capacidade de aceleração do saltador; ela vai até cerca de 35 a 45 metros. Os componentes da velocidade são a amplitude e a frequência da passada. No início da corrida de balanço tem importância a elevação da amplitude da passada, depois da frequência da mesma, na qual a amplitude é mantida ou até um pouco aumentada. As marcas intermédias servem para o controlo do ritmo da corrida de balanço ( ver figura 1 ).

(

( fig 1 )

 

A posição do corpo e a forma de pegar na vara podem variar de atleta para atleta. A velocidade máxima é importante na impulsão com o centro de gravidade do corpo elevado. Por isso, no início, a vara encontra-se acima da altura da cabeça, sendo baixada lentamente nos últimos metros.

 

( fig.2 )

 

A largura da pega orienta-se segundo a altura e o peso da vara, variando entre 50 centímetros e um metro. A posição de pega é mostrada nas fotografias 3,4,e 5, ambos os braços estão flectidos ( cerca de 90º ).

 

                        

          

                                                                  ( fig. 3 )                                       ( fig. 4 )                                         ( fig. 5 )

Um encaixe bem efectuado e uma posição de impulsão correcta são especialmente importantes ( fig.2 ). Após o baixar da vara ( mais ou menos cinco passadas antes da impulsão ), três passadas de impulsão, a mão direita é levada para junto da bacia. O braço esquerdo é estendido , a extremidade da vara aponta para a caixa de encaixe, enquanto o ombro direito retrocede. Na penúltima passada, a mão direita é elevada bem junto ao corpo; assim, a mão gira a vara em volta do deu eixo vertical. No apoio da perna esquerda e, por conseguinte, a perna de impulsão, a vara encontra-se directamente diante do saltador ( fig.6 ); a extremidade da vara é colocada no canto esquerdo da caixa de encaixe. Aúltima passada é um pouco mais pequena do que a anterior ( à volta de 15 a 20 centímetros )

( fig. 6 )

Esta importante fase deve ser efectuada com exactidão, uma vez que o saltador do último ponto de controlo da corrida de balanço até à impulsão dispõe de um tempo de apenas 0,6 segundos para formar o importante sistema «saltador-vara», o qual irá influenciar decisivamente os movimentos que se seguem. O movimento de impulsão pode ser comparado com o do salto em comprimento. O local de impulsão encontra-se a cerca de 15 a 25 centímetros à frente da vertical, resultante da projecção da altura da pega (mão direita) para o chão.

A perna de impulsão apoia-se sobre a planta do pé para impedir uma travagem, encontrando-se esticada , ligeiramente flectida. O braço esquerdo encontra-se flectido e forma com o cotovelo um ângulo de 90 graus. Após a impulsão, o braço esquerdo é pressionado contra a vara enquanto o direito executa o movimento para a frente e para baixo. A vara começa a curvar-se. As mãos na vara e o centro de gravidade do corpo constituem o « triângulo de tensão» importante para a flexão ( fig.7)

( fig. 7 )

 

2º - Flexão da vara e fase de enrolamento ( pêndulo )

 

O objectivo da flexão é o armazenamento  da energia potencial na vara (ver figura 9). O centro de gravidade do corpo encontra-se baixo, possibilitando um rápido movimento para a frente. O centro de gravidade do corpo, impelido para a frente, e o braço esquerdo fixado, impedindo a aproximação do tronco da vara, actuam muito rapidamente, de forma que a flexão  da vara aumenta até atingir  o máximo ( ver figura 2, momemto 3 ). 

Ao «longo pêndulo» sucede um movimento de balanço activo das pernas e um rápido «enrolamento» da bacia. Aqui, o centro de gravidade do corpo deve ser levado o mais possível para trás.

Mais uma vez, é importante penetrar  no âmbito da biomecânica. O movimento de enrolamento significa uma diminuição do raio de balanço. Por conseguinte, o aumento de inércia da rotação diminui e aumenta a velocidade angular. O centro de gravidade do corpo é acelerado, aumentando assim, a flexão da vara. A elevação da velocidade angular do centro de gravidade do corpo dura, mais ou menos, até ao movimento em que o saltador se encontra  com as costas na horizontal ( ver figura 9 ). 

A aceleração seguinte torna-se negativa , a pressão sobre a vara cessa de forma que ela começa a endireitar-se.

                       

                                              ( fig. 8 )                                                                 ( fig. 9 )

 

3º - Extensão e Rotação

 

Na fase de extensão da vara  ( ver figura 10 ) é importante  para o saltador  um aproveitar eficaz desta para a elevação. Primeiro as pernas, e depois a bacia, ultrapassam a vara . O saltador assume uma posição angular. 

O centro de gravidade do corpo é trazido numa posição vertical para uma posição determinada atrás da vara. Através da sua extensão, a vara arrasta o corpo com ela. Na extensão que se segue, a cabeça  é inclinada para o peito,  executando uma rotação em volta do eixo vertical. Estes movimentos devem ser iniciados o mais tarde possível, ou seja quando a extensão da vara estiver quase terminada.

( fig. 10 )

 

4º - Rotação e transposição da fasquia

 

Os seguintes movimentospara a transposição da fasquia  devem ser executados rapidamente e habilmente, nos quais as pernas devem permanecer o mais unidas possível ( ver figura 11, momento 1 ). O braço esquerdo deixa de se apoiar na vara e o ombro direito é trazido com o empurrar do braço direito para cima da altura da mão direita. Esta posição da mão na vara ( ver figura 12 ), ou seja a obtenção de altura a partir  da altura da pega (mão superior) para o centro de gravidade do corpo, é uma característica importante de uma boa técnica.

Após o largar da vara  com a mão direita, os pés passam  a fasquia. Então o corpo adquire uma posição curvada ou angular. Esta posição de «navalha» possibilita uma deslocação dos centros de gravidade das diferentes partes do corpo ( ver figura 11, momento 2 ).

 

( fig.11 )

 

5º - Queda

A queda dá-se sobre as costas.

 

( fig. 12 )

PÁGINA CONCEBIDA POR EDUARDO SANTOS
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 ( 16-03-2008 ( ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO )